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LEI Nº 2299/2015

LEI Nº 2299/2015


Dispõe sobre a Política Municipal de Proteção aos Direitos da Criança e do Adolescente, cria o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo e o Conselho Tutelar.


      O Prefeito de Arroio do Sal, Estado do Rio Grande do Sul, no exercício das atribuições que lhe são conferidas pela Lei Orgânica, FAZ SABER, que a Câmara de Vereadores aprovou e ele SANCIONA E PROMULGA a seguinte Lei:



TÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS


Art. 1° A política municipal de proteção aos direitos da Criança e do Adolescente far-se-á segundo o disposto nesta Lei, observadas as seguintes linhas de ação:

       Ipolíticas sociais básicas;

       IIpolíticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que deles necessitem;

       IIIserviços especiais de prevenção e atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão;

       IVserviço de identificação e localização de pais, responsável, crianças e adolescentes desaparecidos;

       Vproteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente;

       VIpolíticas e programas destinados a prevenir ou abreviar o período de afastamento do convívio familiar e a garantir o efetivo exercício do direito à convivência familiar de crianças e adolescentes; e

       VIIcampanhas de estímulo ao acolhimento sob forma de guarda de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar e à adoção, especificamente inter-racial, de crianças maiores ou de adolescentes, com necessidades específicas de saúde ou com deficiências e de grupos de irmãos.

Art. 2° O atendimento à Criança e ao Adolescente visa:

       Ià proteção à vida e à saúde;

       IIà liberdade, o respeito e a dignidade como pessoa em processo de desenvolvimento e como sujeito de direitos civis, humanos e sociais; e

       IIIà criação e à educação no seio da família ou, excepcionalmente, em família substituta.

      § 1° O direito à vida e à saúde é assegurado mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.

      § 2° O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:

       Iir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais;

       IIopinião e expressão;

       IIIcrença e culto religiosos;

       IVparticipar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;

       Vbrincar, praticar esportes e divertir-se;

       VIparticipar da vida política, na forma da lei; e

       VIIbuscar refúgio, auxílio e orientação.

      § 3° O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança ou do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.

      § 4° O direito à convivência familiar implica em ser a criança ou o adolescente criados e educados no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária em ambiente livre de pessoas de má-formação ou dependentes de bebidas alcoólicas ou entorpecentes.


TÍTULO II
DOS ÓRGÃOS E INSTRUMENTOS DA POLÍTICA 


Art. 3° São órgãos e instrumentos da política de atendimento dos Direitos da Criança e do Adolescente:

       IConselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - COMDICA;

       IIFundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - FUMDICA; 

       IIISistema Municipal de Atendimento Socioeducativo - SIMASE; e

       IVConselho Tutelar.


CAPÍTULO I
Do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente


Art. 4° O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - COMDICA, criado pela Lei Municipal nº 1.092, de 01 de novembro de 2002, como órgão deliberativo, controlador e de cooperação governamental, com a finalidade de auxiliar a Administração na orientação, deliberação e controle da matéria de sua competência, passa a ser regido pelas disposições desta Lei.

      § único O COMDICA ficará diretamente vinculado ao Gabinete do Prefeito Municipal e funcionará em consonância com os Conselhos Estadual e Federal dos Direitos da Criança e do Adolescente, articulando-se com os demais órgãos municipais.

Art. 5° O Poder Público Municipal deverá garantir espaço físico adequado para o funcionamento do COMDICA, cuja localização será amplamente divulgada

      § único Será prevista dotação orçamentária específica para o custeio de despesas relativas às suas atividades.

Art. 6° O COMDICA é o órgão encarregado do estudo e da busca de soluções para os problemas relativos à criança e ao adolescente, especialmente no que se refere ao planejamento e à execução de programas de proteção e socioeducativos a eles destinados e em regime de:

       Iorientação e apoio sociofamiliar;

       IIapoio socioeducativo em meio aberto;

       IIIcolocação familiar;

       IVabrigo;

       Vliberdade assistida;

       VIsemiliberdade; e

       VIIinternação.

Art. 7° As entidades não governamentais somente poderão funcionar depois de registradas junto ao COMDICA.

Art. 8° O COMDICA deverá expedir resolução indicando a relação de documentos a serem apresentados pelas organizações da sociedade civil para fins de registro, considerando a regulamentação constante na legislação federal pertinente.

      § 1° Os documentos a serem exigidos visam, exclusivamente, comprovar a capacidade da entidade de garantir a política de atendimento compatível com os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente.

      § 2° O registro terá validade máxima de 04 (quatro) anos, cabendo ao COMDICA, periodicamente, reavaliar o cabimento de sua renovação, observado o disposto no § 1º deste artigo.

      § 3° O COMDICA providenciará a publicação, no mural da prefeitura, do registro das entidades que preencherem os requisitos exigidos. 

Art. 9° O COMDICA negará registro à entidade que:

       Inão ofereça instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança;

       IInão apresente plano de trabalho compatível com os princípios desta Lei;

       IIIesteja irregularmente constituída;

       IVtenha em seus quadros pessoas inidôneas.

       Vnão se adequar ou deixar de cumprir as resoluções e deliberações relativas à modalidade de atendimento prestado, expedidas pelos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os níveis;

       VIque desenvolvam somente atendimento em modalidades educacionais formais de educação infantil, ensino fundamental e médio.

      § único Sem prejuízo do disposto neste artigo e na legislação federal que dispõe sobre políticas para crianças e adolescentes, o COMDICA poderá definir outras situações nas quais o registro das organizações da sociedade civil será negado, por meio de resolução.

Art. 10 Verificada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 9º desta Lei, a qualquer momento poderá ser cassado o registro concedido à entidade pelo COMDICA.

Art. 11 O COMDICA deverá comunicar, sempre que possível de imediato, à autoridade judiciária, ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar:

       Ia relação de entidades não governamentais registradas junto ao COMDICA para fins de funcionamento;

       IIa cassação de registro concedido à entidade;

       IIIo comprovado atendimento a criança ou adolescente por entidade sem o registro de que trata o art. 7º desta Lei.


Seção I
Da Competência do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente


Art. 12 Compete ao COMDICA:

       Ifixar critérios de utilização dos recursos depositados no Fundo Municipal da Criança e do Adolescente, mediante planos de aplicação que deverão ser condizentes com as metas e ações previstas nesta Lei;

       IIna primeira sessão anual, escolher, dentre seus membros, o Presidente, o Vice-Presidente e o Secretário;

       IIIformular a política municipal de proteção, promoção e defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, definindo prioridades e controlando as ações de execução em todos os níveis;

       IVdeliberar sobre a convivência e oportunidade de implementação dos programas e serviços destinados ao atendimento das crianças e adolescentes, bem como sobre a criação de entidades governamentais ou realização de consórcio intermunicipal regionalizado de atendimento;

       Vpropor modificações nas estruturas das Secretarias e órgãos da Administração ligados à promoção, proteção e defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente;

       VIelaborar e aprovar seu Regimento Interno, por Resolução, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias após a edição desta Lei, a qual será encaminhada ao Prefeito Municipal para publicação na imprensa oficial do Município; 

       VIIpropor ao Executivo e auxiliar na realização de conferências locais destinadas à criação de políticas públicas e à discussão de alternativas que se destinam a assegurar os direitos das crianças e dos adolescentes;

       VIIIopinar sobre a política de formação de pessoal com vista à qualificação do atendimento da criança e do adolescente;

       IXmanter intercâmbio com entidades internacionais, federais e estaduais congêneres, ou que tenham atuação na proteção, promoção e defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente;

       Xrealizar e incentivar campanhas promocionais de conscientização dos Direitos da Criança e do Adolescente;

       XIestabelecer critérios, bem como organizar juntamente com a Poder Executivo, a eleição dos Conselheiros Tutelares, conforme as disposições desta lei;

       XIIexercer as funções deliberativas e de controle do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo;

       XIIIdeliberar sobre o Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo;

       XIVdivulgar, amplamente, à comunidade, por meio do mural da prefeitura e órgãos de imprensa no Município quando disponível:

       ao calendário de suas reuniões;

       bas ações prioritárias para aplicação das políticas de atendimento à criança e ao adolescente;

       cos requisitos para a apresentação de projetos a serem beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital ou municipais;

       da relação dos projetos aprovados em cada ano-calendário e o valor dos recursos previstos para implementação das ações, por projeto;

       eo total dos recursos recebidos e a respectiva destinação, por projeto atendido, inclusive com cadastramento na base de dados do Sistema de Informações sobre a Infância e a Adolescência; e

       fa avaliação dos resultados dos projetos beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais

      § único O COMDICA executará o controle das atividades referidas nos incisos deste artigo, no âmbito municipal, em cooperação com os demais órgãos da Administração, quando for o caso, visando a integrá-las com as atividades assemelhadas dos municípios limítrofes da região.


Seção II
Dos Membros do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente


Art. 13 O COMDICA compor-se-á de 08 (oito) membros designados pelo Prefeito, sendo:

       I04 (quatro) representantes do Município, a saber:

       a02 (dois) representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social;

       b01 (um) representantes da Secretaria Municipal de Educação e Cultura;

       c01 (um) representante da Secretaria Municipal da Saúde;

       II04 (quatro) membros, sem qualquer vinculação com o Poder Público Municipal, representantes das seguintes entidades:

       a01 (um) representante dos círculos de pais e mestres das escolas do município;

       b01 (um) representante dos clubes de mães do Município;

       c02 (dois) representantes de associação constituída na sede do Município;

      § único Os membros do COMDICA serão indicados, por escrito, pelos seus respectivos órgãos ou entidades, de acordo com a sua organização ou de seus fóruns próprios e independentes, sendo um titular e o outro suplente, e suas nomeações serão efetuadas por ato próprio do Prefeito Municipal, para um período de 02 (dois) anos, admitida a recondução.

Art. 14 Não poderão integrar o COMDICA:

       Imembros dos Conselhos de políticas públicas;

       IIrepresentantes de órgão de outras esferas governamentais;

       IIIocupantes de cargo em comissão e/ou função de confiança do Poder Público, na qualidade de representante de organização da sociedade civil; 

       IVConselheiros Tutelares; e

       Vmembros do Ministério Público, da Defensoria Pública, do Poder Judiciário e do Poder Legislativo.

Art. 15 O desempenho da função de membro do COMDICA será gratuito e considerado de relevância para o Município.

Art. 16 O integrante do COMDICA terá seu mandato cassado quando:

       Inão comparecer por 03 (três) reuniões consecutivas ou 06 (seis) intercaladas no período de 01 (um) ano, sem apresentar justificativa; e/ou

       IIincorrer em ato infracional incompatível com a função que desempenha, inclusive, com os princípios constitucionais que norteiam a Administração Pública, e as normas que tratam da proteção dos direitos da criança e do adolescente.

Art. 17 A cassação do mandato dos integrantes do COMDICA demandará a instauração de procedimento administrativo específico, a ser instaurado no âmbito do próprio Conselho, por despacho do Presidente, com a garantia do contraditório e ampla defesa.

      § 1° Ao procedimento, no que couber, aplicar-se-ão as regras dos arts. 73 a 103.

      § 2° A decisão deverá ser tomada por maioria absoluta de votos dos integrantes do respectivo Conselho.

      § 3° Sendo cassado o mandato do conselheiro em exercício, o suplente passará à condição de titular.

Art. 18 Os membros do COMDICA reunir-se-ão, no mínimo, a cada mês, e, extraordinariamente, quando necessário, em sessões abertas ao público. 

Art. 19 As reuniões e o funcionamento do COMDICA seguirão o disposto no seu Regimento Interno, que será elaborado de acordo com o previsto no art. 12, VI desta Lei. 

Art. 20 O COMDICA manifestar-se-á por meio de Resoluções, Recomendações, Moções e outros atos deliberativos. 


CAPÍTULO II
Do Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente


Art. 21 É criado o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - FUMDICA vinculado ao Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, destinado a suportar as despesas dos programas que visem à preservação e à proteção dos direitos das crianças e adolescentes.


Seção I
Dos Recursos do Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente


Art. 22 Constituem recursos do FUMDICA:

       Ios aprovados em lei municipal, constantes dos orçamentos;

       IIos recebidos de pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas, em doação;

       IIIos auxílios e subvenções específicos concedidos por órgãos públicos;

       IVos provenientes de multas impostas judicialmente em ações que visem à proteção de interesses individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da adolescência;

       Vos provenientes de financiamentos obtidos em instituições públicas ou privadas;

       VIos rendimentos das aplicações financeiras de suas disponibilidades e dos demais bens; e

       VIIos recursos públicos que lhes forem repassados por outras esferas de governo.


Seção II
Da aplicação dos recursos do Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente


Art. 23 Os recursos do FUMDICA, após aprovação, pelo COMDICA, do plano de aplicação encaminhado pelo Poder Executivo, destinar-se-ão ao financiamento das seguintes ações governamentais e não-governamentais:

       Idesenvolvimento de programas e serviços complementares ou inovadores, por, no máximo, 03 (três) anos a contar do seu início, relacionados à política de promoção, proteção, defesa e atendimento dos direitos da criança e do adolescente;

       IIacolhimento, sob a forma de guarda, de criança e de adolescente órfão ou abandonado;

       IIIprogramas e projetos de pesquisa e de estudos, elaboração de diagnósticos, sistemas de informações, monitoramento e avaliação das políticas públicas de promoção, proteção, defesa e atendimento dos direitos da criança e do adolescente;

       IVprogramas e projetos de capacitação e formação profissional continuada dos órgãos da política de atendimento aos direitos da criança e do adolescente;

       Vdesenvolvimento de programas e projetos de comunicação, campanhas educativas, publicações, divulgação das ações de promoção, proteção, defesa e atendimento dos direitos da criança e do adolescente; e

       VIações de fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, com ênfase na mobilização social e na articulação para a defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Art. 24 É vedada a utilização dos recursos do FUMDICA em despesas não identificadas diretamente com as suas finalidades, de acordo com os objetivos determinados na Lei da sua instituição, em especial nas seguintes situações:

       Iaplicação dos valores sem a prévia deliberação do COMDICA;

       IImanutenção e funcionamento do Conselho Tutelar, bem como quaisquer outras despesas relacionadas aos seus serviços;

       IIImanutenção e funcionamento do COMDICA;

       IVfinanciamento das políticas públicas sociais básicas, em caráter continuado e que disponham de fundo específico, nos termos da legislação pertinente; e

       Vinvestimentos em aquisição, construção, reforma, manutenção e/ou aluguel de imóveis públicos e/ou privados, ainda que de uso exclusivo da política dos direitos da criança e do adolescente.


Seção III
Da Administração do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente


Art. 25 O FUMDICA será gerido pelo Secretário de Administração, observadas as diretrizes emanadas do COMDICA.

      § 1° A Secretaria Municipal da Fazenda manterá os controles contábeis e financeiros das movimentações dos recursos do FUMDICA, obedecido ao disposto na legislação pertinente.

      § 2° Os recursos do FUMDICA serão depositados em conta especial em estabelecimento oficial de crédito, na forma de regulamento.

      § 3° Obedecida à programação financeira previamente aprovada, o excesso de caixa existente será aplicado no mercado de capitais, através de banco oficial.

Art. 26 Cabe ao Poder Executivo Municipal, após deliberação, aprovação, registro e inscrição dos programas relacionados à política da criança e do adolescente pelo COMDICA, formalizar os convênios para repasse de recursos do FUMDICA, bem como a sua operacionalização, fiscalização, controle e julgamento de prestações de contas.

Art. 27 O COMDICA manterá cadastro com o registro e a inscrição dos programas das entidades governamentais e das organizações da sociedade civil, com seus regimes de atendimento, que pleiteiem ou sejam beneficiários de recursos do FUMDICA.

      § 1° É vedada a participação dos membros do COMDICA na comissão de avaliação e seleção dos programas apresentados pelas entidades governamentais e das organizações da sociedade civil de que sejam representantes e que possam vir a ser beneficiários dos recursos do FUMDICA.

      § 2° O registro e a inscrição de novos programas de promoção e proteção dos direitos da criança e do adolescente, bem como o recadastramento daqueles já vinculados ao Município, deverá ocorrer no prazo máximo de 02 (dois) anos, podendo ser efetuada em menor tempo.

      § 3° O registro e a inscrição, para fins de cadastramento e de recadastramento de que trata o § 2º deste artigo, ocorrerá por meio de convocação dos interessados, mediante publicação de edital de chamada pública na imprensa oficial do Município, na forma de regulamento aprovado por Resolução do COMDICA.

      § 4° O COMDICA expedirá ato próprio indicando as entidades governamentais e das organizações da sociedade civil devidamente cadastradas e cujos programas tenham sido selecionados para serem contemplados com recursos do FUMDICA, o qual será encaminhado ao Poder Executivo Municipal para a publicação oficial.

      § 5° Sem prejuízo do disposto no § 4º deste artigo, a relação de entidades governamentais e das organizações da sociedade civil cadastradas e cujos programas tenham sido selecionados será comunicada, pelo COMDICA, ao Juízo da Infância e da Juventude, ao Conselho Tutelar e ao representante do Ministério Público, mediante ofício com aviso de recebimento.

      § 6° Será negado registro e inscrição do programa que não respeite os princípios estabelecidos na legislação que trata dos direitos da criança e do adolescente e/ou seja incompatível com a política de promoção dos direitos da criança e do adolescente traçada pelo COMDICA.

Art. 28 Aplicam-se subsidiariamente a legislação que estabelece as normas gerais de licitação, bem como as normas municipais que dispõem sobre os convênios celebrados no âmbito da Administração Direta e Indireta do Município, no que couberem, aos repasses de recursos do FUMDICA para entidades governamentais e não governamentais.

Art. 29 O Poder Executivo Municipal designará servidor(es) para fiscalizar a execução dos convênios que envolvem o repasse de recursos do FUMDICA, os quais poderão ser acompanhados, na atividade de fiscalização, pelos membros do COMDICA.

      § 1° Todos os atos de fiscalização deverão ser registrados em planilhas ou diários, os quais serão mantidos em arquivo pela Secretaria de Administração

      § 2° Compete exclusivamente ao(s) servidor(es) designado(s) pela Administração como fiscal(is) a prerrogativa de orientar as entidades beneficiárias do FUMDICA acerca dos atos relacionados ao convênio.

      § 3° Em qualquer hipótese, o gestor do FUMDICA poderá intervir junto ao(s) fiscal(is), de modo a garantir a boa e regular aplicação dos recursos transferidos às entidades convenentes.

      § 4° Os membros do COMDICA, quando tiverem ciência de alguma irregularidade na execução de convênios que envolvam recursos do FUMDICA, seja pelo descumprimento de obrigações da entidade beneficiária ou por parte da própria Administração Pública, deverão informar ao Prefeito, por escrito e mediante protocolo, os fatos e/ou atos do seu conhecimento, de forma detalhada.

      § 5° É facultado ao COMDICA encaminhar cópia da comunicação de que trata o § 3º deste artigo ao(s) fiscal(is) do convênio e ao Sistema de Controle Interno.

Art. 30 A entidade beneficiária dos recursos do FUMDICA estará obrigada a prestar contas do valor recebido, no prazo máximo e na forma estabelecidos em decreto regulamentar.

      § 1° A prestação de contas deverá ser protocolada na Secretaria da Administração, contendo os documentos previstos no termo de convênio assinado, bem como outros que vierem a ser objeto de regulamento próprio, e formará processo administrativo próprio.

      § 2° O recebimento da prestação de contas não implica a sua aceitação como regular, o que dependerá de análise e decisão fundamentada.

      § 3° Após o processamento da prestação de contas, que deverá assegurar o contraditório e a ampla defesa à entidade interessada, o processo será encaminhado ao COMDICA, para deliberação e parecer sobre o cumprimento dos objetivos propostos.

      § 4° A manifestação do COMDICA é requisito para o regular julgamento da prestação de contas, embora não gere efeito vinculante em relação aos aspectos técnicos, que deverão ser analisados pela Administração Pública.


CAPÍTULO III
Do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo


Art. 31 Fica instituído o Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo - SIMASE, conjunto de regras, serviços e ações destinadas à execução de medidas socioeducativas, destinado a prestar assistência especializada às crianças e aos adolescentes autores de ato infracional.

Art. 32 Para o cumprimento dos objetivos do SIMASE, será elaborado o Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo, em conformidade com os Planos Nacional e Estadual.

      § 1° O Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo deverá contemplar ações articuladas nas áreas de educação, saúde, assistência social, cultura, capacitação para o trabalho e o esporte, para os adolescentes atendidos, em conformidade com os princípios elencados na legislação que trata dos direitos da criança e do adolescente.

      § 2° O Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo indicará o órgão administrativo que terá funções executiva e de gestão do SIMASE.

      § 3° O Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo será submetido à deliberação do COMDICA.

Art. 33 Ao órgão executivo gestor do SIMASE compete:

       Iformular, instituir, coordenar e manter o Sistema, respeitadas as diretrizes fixadas pela União e pelo Estado; 

       IIcriar e manter programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas em meio aberto;

       IIIeditar normas complementares para a organização e funcionamento dos programas do Sistema;

       IVcadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo e fornecer regularmente os dados necessários ao povoamento e à atualização do Sistema; e

       Vcofinanciar a execução de programas e ações destinados ao atendimento inicial de adolescente apreendido para apuração de ato infracional, bem como aqueles destinados a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa em meio aberto.

Art. 34 O Poder Executivo Municipal poderá regulamentar, na forma da lei, a operacionalização do SIMASE. 


CAPÍTULO IV
Do Conselho Tutelar



Seção I
Da sua criação, natureza e atribuições


Art. 35 É criado o Conselho Tutelar do Município encarregado de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. 

Art. 36 O Conselho Tutelar do Município é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, integrante da administração pública local, vinculado ao Gabinete do Prefeito Municipal, composto por 05 (cinco) membros, escolhidos pela população local.

      § único Enquanto órgão público autônomo, no desempenho de suas atribuições legais, o Conselho Tutelar não se subordina aos Poderes Executivo e Legislativo municipais, ao Poder Judiciário ou ao Ministério Público.

Art. 37 São atribuições do Conselho Tutelar:

       Iatender às crianças e adolescentes sempre que seus direitos forem ameaçados ou violados;

       IIatender e aconselhar os pais ou responsáveis, aplicando as medidas previstas em Lei;

       IIIpromover a execução de suas decisões, podendo, para tanto:

       arequisitar serviços públicos no âmbito do Município, nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança;

       brepresentar junto à autoridade judicial nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações.

       IVencaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança e do adolescente;

       Vencaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;

       VIprovidenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária quanto a:

       aencaminhamento de pais ou responsáveis, mediante termo de responsabilidade;

       borientação, apoio e acompanhamento temporários;

       cmatrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de ensino fundamental;

       dinclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;

       einclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;

       frequisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;

       gabrigo em entidade;

       hcolocação em família substituta.

       VIIexpedir notificações;

       VIIIrequisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente, quando necessário;

       IXassessorar o Poder Executivo na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;

       Xrepresentar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no inciso II do § 3º do artigo 220 da Constituição da República de 1988;

       XIrepresentar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do pátrio poder

      § único O Conselho Tutelar elaborará seu Regimento Interno, a ser oficializado por ato do Poder Executivo.


Seção II
Da estrutura e funcionamento


Art. 38 As Secretarias e Departamentos do Município darão ao Conselho Tutelar o apoio técnico e administrativo necessário à realização de suas finalidades e atribuições, em consonância com os programas estabelecidos pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

      § único O Poder Executivo poderá colocar servidores à disposição do Conselho Tutelar, por solicitação deste, para exercer trabalhos auxiliares e de secretaria.

Art. 39 O Conselho Tutelar funcionará em local disponibilizado pelo Poder Executivo, de segundas a sextas-feiras, nos horário das 08:00h às 12:00h e das 14:00h às 18:00h.

      § 1° Além do horário de expediente, o Conselho Tutelar manterá plantão nos dias de semana, à noite, e nos sábados, domingos e feriados, durante as vinte e quatro horas do dia.

      § 2° Para o funcionamento dos plantões será organizada uma escala de horários de atendimento, que deverá ser divulgada nos meios de comunicação de massa, com indicação da forma de localização e dos telefones dos membros do Conselho Tutelar designados para o plantão.

      § 3° A escala também deverá ser entregue, com antecedência mínima de 02 (dois) dias, à Delegacia de Polícia, ao Comando da Brigada Militar e ao Juiz Diretor do Foro local.


Seção III
Do processo de escolha e do mandato dos Conselheiros Tutelares


Art. 40 O processo para a escolha dos membros do Conselho Tutelar ocorrerá através de eleição pelo voto direto, secreto, universal e facultativo dos cidadãos do Município, presidida pelo COMDICA e fiscalizada pelo Ministério Público, na forma da Lei.

      § 1° O processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar ocorrerá em data unificada em todo o território nacional a cada 04 (quatro) anos, no primeiro domingo do mês de outubro do ano subsequente ao da eleição presidencial.

      § 2° No processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar é vedado ao candidato doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive brindes de pequeno valor. 

Art. 41 O mandato dos Conselheiros Tutelares é de 04 (quatro) anos, permitida uma recondução.

      § 1° A recondução, permitida por uma única vez, consiste no direito do Conselheiro Tutelar de concorrer ao mandato subsequente, em igualdade de condições com os demais pretendentes, submetendo-se ao mesmo processo de escolha pela sociedade, vedada qualquer outra forma de recondução. 

      § 2° Nos casos em que o Conselheiro Tutelar tenha sido eleito como suplente e, no curso do mandato, assumido a condição de titular, em definitivo, também somente poderá ser reconduzido uma única vez, independentemente do período em que permaneceu no mandato.

Art. 42 São requisitos para candidatar-se à função de Conselheiro Tutelar:

       Ireconhecida idoneidade moral, comprovada através de atestado de antecedentes e alvará de folha corrida judicial;

       IIidade superior a 21 anos;

       IIIresidir no Município;

       IVser eleitor do Município;

       Vnão ter sido penalizado com a destituição da função de Conselheiro Tutelar;

       VIser aprovado em prova de conhecimentos gerais sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente;

       VIIestar em pleno gozo das aptidões físicas e mentais para o exercício do cargo de Conselheiro Tutelar, demonstrada através de exames médicos devidamente realizados por um profissional da área e em conformidade com as exigências legais da Prefeitura Municipal de Arroio do Sal; e

       VIIIser considerado "APTO" a função de Conselheiro Tutelar, devidamente atestado por um psicólogo, em avaliação psicológica específica para esse fim.

      § 1° Os requisitos referidos nos incisos I a IV deste artigo devem ser exigidos também para a posse e mantidos pelo período que durar o mandato, como condição para o exercício da função de Conselheiro Tutelar.

      § 2° Para a posse será exigido também o comprovante da escolaridade mínima em nível de Ensino Médio.

Art. 43 São impedidos de servir no mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado.

      § 1° Estende-se o impedimento do conselheiro, na forma deste artigo, em relação à autoridade judiciária e ao representante do Ministério Público com atuação na Justiça da Infância e da Juventude, em exercício na comarca, foro regional ou distrital.

      § 2° A inexistência do impedimento de que trata o caput deste artigo deverá ser verificada quando da posse do Conselheiro Tutelar e mantida durante o curso do mandato.

Art. 44 O exercício efetivo da função de Conselheiro constituirá serviço público relevante e estabelecerá presunção de idoneidade moral. 


Subseção IV
Da posse, remuneração e direitos dos Conselheiros Tutelares


Art. 45 A posse dos Conselheiros Tutelares eleitos ocorrerá, a cada 04 (quatro) anos, em 10 de janeiro do ano subsequente ao da respectiva eleição. 

      § 1° A posse também pode ser dada, no curso do mandato, ao Conselheiro Tutelar eleito como suplente, quando assumir a posição de titular, em definitivo. 

      § 2° Nos casos de substituição temporária do titular pelo suplente não há a necessidade de posse.

Art. 46 Dentre os Conselheiros eleitos, um será escolhido pelos seus pares para presidir o Conselho Tutelar pelo período de 06 (seis) meses, admitida a recondução.

Art. 47 Sendo eleito servidor público municipal, este gozará da licença para desempenho de mandato de Conselheiro Tutelar a que se refere o art. 105 da Lei Municipal nº 1.035/2001, que institui o Regime Jurídico dos Servidores do Município, sem remuneração.

Art. 48 Em caso de afastamento para concorrer a mandato eletivo federal, estadual ou municipal, o Conselheiro Tutelar deverá retornar ao desempenho do mandato no dia imediatamente posterior ao da realização das eleições.

Art. 49 Os Conselheiros Tutelares receberão, a título de remuneração mensal, o valor de 5,43 (cinco vírgula quarenta e três) VMRs.

Art. 50 Ficam assegurados ao Conselheiro Tutelar, ainda, os seguintes direitos:

       Igozo de férias anuais remuneradas, com acréscimo de um terço sobre a remuneração mensal;

       IIafastamento por ocasião da licença-maternidade, custeada pelo regime de previdência a que estiver vinculado;

       IIIlicença-paternidade de 5 (cinco) dias; 

       IVdécima terceira gratificação a ser paga no mês de dezembro de cada ano.

      § único No último ano de mandato as férias serão indenizadas, salvo se o Conselheiro for reconduzido à função, hipótese em que o gozo dar-se-á no primeiro ano do mandato seguinte.

Art. 51 Os Conselheiros Tutelares terão direito a diárias ou ajuda de custo para assegurar a indenização de suas despesas pessoais quando, fora de seu Município, participarem de eventos de formação, seminários, conferências, encontros e outras atividades semelhantes, e quando nas situações de representação do conselho, nos moldes da Lei Municipal nº 1.820, de 18 de agosto de 2009, ou outra que vier a substituir.

Art. 52 Os conselheiros tutelares suplentes serão convocados nos seguintes casos: 

       Inas férias do titular; 

       IIquando as licenças a que fizerem jus os titulares excederem a 16 (dezesseis) dias; 

       IIIno caso de afastamento preventivo, renúncia, cassação ou falecimento do titular. 

      § 1° Os suplentes serão chamados conforme a sua ordem de classificação no processo de escolha, do mais votado ao menos votado, recaindo cada situação de substituição sobre um deles. 

      § 2° Uma vez chamados todos os suplentes, reinicia-se a ordem de classificação nas demais situações em que houver necessidade de substituição.

      § 3° Reassumindo o titular, encerra-se a convocação do suplente, que perceberá a remuneração e a gratificação natalina proporcional ao período de exercício da função em substituição. 

      § 4° No caso de inexistência de suplentes, a qualquer tempo, deverá o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente realizar o processo de escolha suplementar para o preenchimento das vagas, seguindo o procedimento de escolha regular, conforme lei específica.

      § 5° Os Conselheiros eleitos no processo de escolha suplementar exercerão as funções somente pelo período restante do mandato original.


Seção IV
Do regime disciplinar dos Conselheiros Tutelares


Art. 53 São deveres dos Conselheiros Tutelares:

       Imanter conduta pública e particular ilibada;

       IIzelar pelo prestígio da instituição a que serve;

       IIIindicar os fundamentos de seus pronunciamentos administrativos, submetendo sua manifestação à deliberação do colegiado;

       IVobedecer aos prazos regimentais para suas manifestações e exercício das demais atribuições;

       Vcomparecer às sessões deliberativas do Conselho Tutelar e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, conforme dispuser o Regimento Interno;

       VIdesempenhar suas funções com zelo, presteza e dedicação;

       VIIdeclarar-se suspeitos;

       VIIIdeclarar-se impedidos, nos termos do art. 43

       IXtratar com urbanidade os interessados, testemunhas, funcionários e auxiliares do Conselho Tutelar e dos demais integrantes de órgãos de defesa dos direitos da criança e do adolescente;

       Xresidir no Município;

       XIprestar as informações solicitadas pelas autoridades públicas e pelas pessoas que tenham legítimo interesse ou seus procuradores legalmente constituídos;

       XIIidentificar-se em suas manifestações funcionais; e

       XIIIatender aos interessados, a qualquer momento, nos casos urgentes.

      § único Em qualquer caso, a atuação do membro do Conselho Tutelar será voltada à defesa dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes, cabendo-lhe, com o apoio do colegiado, tomar as medidas necessárias à proteção integral que lhes é devida.

Art. 54 É vedado aos Conselheiros Tutelares: 

       Ireceber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, vantagem pessoal de qualquer natureza;

       IIutilizar-se do Conselho Tutelar para o exercício de propaganda e atividade político-partidária;

       IIIausentar-se da sede do Conselho Tutelar durante o expediente, salvo quando em diligências ou por necessidade do serviço;

       IVopor resistência injustificada ao andamento do serviço;

       Vdelegar a pessoa que não seja membro do Conselho Tutelar o desempenho da atribuição que seja de sua responsabilidade;

       VIvaler-se da função para lograr proveito pessoal ou de outrem;

       VIIreceber comissões, presentes ou vantagens de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;

       VIIIproceder de forma desidiosa;

       IXexercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício da função e com o horário de trabalho;

       Xexceder no exercício da função, abusando de suas atribuições específicas, nos termos previstos na Lei nº 4.898, de 9 de dezembro de 1965;

       XIdeixar de submeter ao Colegiado as decisões individuais referentes à aplicação de medidas protetivas a crianças, adolescentes, pais ou responsáveis previstas nos arts. 101 e 129 da Lei n° 8.069, de 1990; e

       XIIdescumprir os deveres funcionais mencionados no art. 53 desta Lei.


Subseção I
Das penalidades


Art. 55 São penalidades disciplinares aplicáveis ao Conselheiro Tutelar, após procedimento administrativo em que lhe seja assegurado o direito de defesa:

       Iadvertência;

       IIsuspensão do exercício da função;

       IIIcassação do mandato. 

Art. 56 Na aplicação das penalidades, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes.

Art. 57 Não poderá ser aplicada mais de uma pena disciplinar pela mesma infração.

      § único No caso de infrações simultâneas, a maior absorve as demais, funcionando estas como agravantes na gradação da penalidade.

Art. 58 A pena de advertência ou suspensão do exercício da função será aplicada, por escrito, na inobservância de dever ou proibição previsto em lei, regulamento ou norma interna que não importe em cassação do mandato. 

Art. 59 A pena de suspensão, que importa, além do afastamento, na perda da remuneração, não poderá ultrapassar sessenta dias.

Art. 60 A penalidade de cassação do mandato será aplicada ao Conselheiro Tutelar no caso de cometimento de falta grave.

Art. 61 Para os fins desta lei, considera-se falta grave as seguintes ocorrências, atribuídas ao Conselheiro Tutelar:

       Iprática de crime;

       IIabandono da função de Conselheiro Tutelar;

       IIIinassiduidade ou impontualidade habituais;

       IVprática de ato de improbidade administrativa;

       Vincontinência pública e conduta escandalosa;

       VIofensa física contra qualquer pessoa, cometida em no exercício da função, salvo em legítima defesa;

       VIIrevelação de segredo apropriado em razão da função;

       VIIIcorrupção;

       IXacumulação do exercício da função de conselheiro com cargos, empregos públicos ou privados e/ou funções; e

       Xtransgressão do artigo 53, incisos I e II e VI ao X.

      § 1° Configura abandono da função a ausência intencional ao serviço por mais de 30 (trinta) dias consecutivos.

      § 2° A cassação do mandato por inassiduidade ou impontualidade somente será aplicada quando caracterizada a habitualidade, de modo a representar séria violação dos deveres e obrigações do Conselheiro, após anteriores punições por advertência ou suspensão.

Art. 62 A aplicação de penalidade é de competência do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. 

      § único O ato de imposição de penalidade mencionará sempre o fundamento legal e a identificação da sindicância ou processo administrativo disciplinar que lhe serviu de base.

Art. 63 A ação disciplinar prescreverá em cinco anos a contar da data em que a autoridade processante tomar conhecimento do cometimento da falta.

      § 1° A falta também prevista na lei penal como crime prescreverá juntamente com este.

      § 2° A instauração de sindicância punitiva ou de processo administrativo disciplinar interromperá a prescrição.

      § 3° Na hipótese do § 2º deste artigo, o prazo prescricional recomeçará a correr no dia imediato ao da interrupção.


Subseção II
Da Corregedoria do Conselho Tutelar 


Art. 64 É criada a Corregedoria do Conselho Tutelar, órgão de controle de seu funcionamento, que terá a seguinte composição:

       I2 (dois) representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de

       II2 (dois) representantes do Poder Executivo Municipal; e

       III1 (um) representante do Conselho Tutelar.

      § 1° A Corregedoria, em deliberação por maioria, escolherá, um de seus membros, para o exercício da função de Corregedor-Geral. 

      § 2° O exercício da função de membro da Corregedoria será gratuito e constituirá serviço público relevante.

Art. 65 Compete à Corregedoria:

       Ifiscalizar o cumprimento de horário e o regime de trabalho dos Conselheiros Tutelares, a efetividade e a forma de plantão, de modo a compatibilizar o atendimento à necessidade da população 24 horas por dia; e

       IIinstaurar e conduzir procedimento administrativo disciplinar em razão da inobservância de deveres, violação de proibições e prática de falta grave cometida pelos um Conselheiro Tutelar no desempenho de suas funções;

Art. 66 Ao tomar ciência de irregularidade no desempenho das atividades e no funcionamento do Conselho Tutelar, o Corregedor-Geral é obrigado a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar

      § 1° Quando o fato denunciado, de modo evidente, não configurar infração disciplinar, a denúncia será arquivada por falta de objeto.

      § 2° Na hipótese do relatório da sindicância ou do processo administrativo disciplinar concluir pela prática de crime, o Corregedor-Geral oficiará ao Ministério Público e remeterá cópia dos autos.

Art. 67 As irregularidades e faltas funcionais serão apuradas em processo regular com direito a plena defesa, por meio de:

       Isindicância investigatória, quando não houver dados suficientes para sua determinação ou para apontar o Conselheiro faltoso;

       IIsindicância disciplinar, quando a ação ou omissão torne o Conselheiro passível de aplicação das penas de advertência e suspensão;


Subseção III
Do Afastamento Preventivo do Conselheiro Tutelar


Art. 68 O Corregedor-Geral poderá determinar o afastamento preventivo do Conselheiro Tutelar até 60 (sessenta) dias, prorrogáveis por mais 30 (trinta) se, fundamentadamente, houver necessidade de seu afastamento para apuração de falta a ele imputada.

Art. 69 O Conselheiro Tutelar fará jus à remuneração integral durante o período de afastamento preventivo.


Subseção IV
Da Sindicância Investigatória


Art. 70 A sindicância investigatória será conduzida por um dos Corregedores ou, a critério do Corregedor-Geral, considerando o fato a ser apurado, por comissão de três Corregedores.

      § 1° O sindicante ou a comissão efetuará, de forma sumária, as diligências necessárias ao esclarecimento da ocorrência e indicação do responsável, apresentando, no prazo máximo de trinta dias, relatório a respeito.

      § 2° Preliminarmente, deverá ser ouvido o denunciante e o Conselheiro ou Conselheiros referidos, se houver.

      § 3° Reunidos os elementos apurados, o sindicante ou comissão traduzirá no relatório as suas conclusões, indicando o possível culpado, qual a irregularidade ou transgressão e o seu enquadramento nas disposições legais.

      § 4° O Corregedor-Geral, de posse do relatório, acompanhado dos elementos coletados na investigação, decidirá, no prazo de cinco dias úteis:

       Ipela instauração de sindicância disciplinar;

       IIpela instauração de processo administrativo disciplinar; ou

       IIIpelo arquivamento do procedimento.

      § 5° Entendendo o Corregedor-Geral que os fatos não estão devidamente elucidados, inclusive na indicação do possível culpado, devolverá o processo ao sindicante ou comissão, para ulteriores diligências, em prazo certo, não superior a dez dias úteis.

      § 6° De posse do novo relatório e elementos complementares, o Corregedor-Geral decidirá no prazo e nos termos do § 4º deste artigo.


Subseção V
Da Sindicância Disciplinar


Art. 71 A sindicância disciplinar será conduzida por comissão de 03 (três) Corregedores, designados pelo Corregedor-Geral, que indicará, entre eles, o seu presidente.

      § 1° A comissão efetuará as diligências necessárias ao esclarecimento dos fatos, apresentando, no prazo de trinta dias, relatório a respeito, podendo o prazo ser prorrogado por mais trinta dias, por solicitação fundamentada da comissão sindicante.

      § 2° Preliminarmente, deverá ser ouvido o Conselheiro Tutelar sindicado, passando-se, após, à instrução.

      § 3° O Conselheiro Tutelar sindicado será intimado pessoalmente da instalação da sindicância e da audiência para seu interrogatório, com antecedência de, no mínimo, quarenta e oito horas.

      § 4° Na audiência, a comissão promoverá o interrogatório do sindicado, concedendo-lhe, em seguida, o prazo de dois dias para oferecer alegações escritas, requerer provas e arrolar testemunhas, até o máximo de três.

      § 5° Havendo mais de um sindicado, o prazo será comum e de quatro dias, contados a partir do interrogatório do último deles.

      § 6° A comissão promoverá a tomada de depoimentos, acareações, investigações e diligências cabíveis, objetivando a coleta de prova, recorrendo, quando necessário, a técnicos e peritos de modo a permitir a completa elucidação dos fatos.

      § 7° Concluída a instrução, o sindicado será intimado para apresentar defesa final no prazo de cinco dias.

      § 8° Reunidos os elementos apurados, caberá à comissão elaborar relatório conclusivo, indicando:

       Ia irregularidade ou transgressão, o seu enquadramento nas disposições legais e a penalidade a ser aplicada;

       IIa abertura de processo administrativo disciplinar quando a falta apurada sujeitar o Conselheiro Tutelar à aplicação de penalidade de cassação do mandato; e

       IIIo arquivamento da sindicância.

Art. 72 O Corregedor-Geral, de posse do relatório, acompanhado dos elementos coletados na instrução, decidirá, no prazo de cinco dias:

       Ipela aplicação de penalidade de advertência ou suspensão;

       IIpela instauração de processo administrativo disciplinar; ou

       IIIpelo arquivamento da sindicância.

      § 1° Entendendo o Corregedor-Geral que os fatos não estão devidamente elucidados, devolverá o processo à comissão, para ulteriores diligências, em prazo certo, não superior a dez dias úteis.

      § 2° De posse do novo relatório e elementos complementares, o Corregedor-Geral decidirá no prazo do caput deste artigo.

Art. 73 Aplicam-se, supletivamente, à sindicância disciplinar, as normas de processo administrativo disciplinar previstas nesta Lei.


Subseção VI
Do processo administrativo disciplinar


Art. 74 O processo administrativo disciplinar será conduzido por comissão de três Corregedores, designada pelo Corregedor-Geral que indicará, dentre eles, o seu Presidente.

Art. 75 O processo administrativo observará o contraditório e assegurará a ampla defesa ao acusado, com a utilização dos meios e recursos admitidos em direito.

Art. 76 Quando o processo administrativo disciplinar resultar de prévia sindicância, o relatório desta e o julgamento da autoridade competente integrarão os autos, como peça informativa.

Art. 77 O prazo para a conclusão do processo não excederá 60 (sessenta) dias, contados da data da reunião de instalação da comissão, admitida a prorrogação por mais trinta dias, quando as circunstâncias o exigirem, mediante ato da autoridade que determinou a sua instauração.

Art. 78 As reuniões da comissão serão registradas em atas que deverão detalhar as deliberações adotadas.

Art. 79 Ao instalar os trabalhos da comissão, o Presidente determinará a autuação da portaria e demais peças existentes e a expedição do mandado de citação ao indiciado, designando dia, hora e local para o seu interrogatório.

      § único A comissão terá como secretário Corregedor designado pelo presidente.

Art. 80 A citação do indiciado deverá ser feita pessoalmente e mediante contra-recibo, com, pelo menos, quarenta e oito horas de antecedência em relação à audiência inicial e conterá dia, hora e local e qualificação do indiciado e a falta que lhe é imputada, com descrição dos fatos.

      § 1° Caso o indiciado se recuse a receber a citação, deverá o fato ser certificado, com assinatura de, no mínimo, duas testemunhas.

      § 2° Estando o indiciado ausente do Município, se conhecido seu endereço, será citado por via postal, com carta registrada, juntando-se ao processo o comprovante do registro e o aviso de recebimento.

      § 3° Achando-se o indiciado em lugar incerto e não sabido, será citado por edital, divulgado como os demais atos oficiais do Município e publicado pelo menos uma vez em jornal de circulação, no mínimo, na região a que pertence o Município, com prazo de quinze dias.

Art. 81 Em caso de revelia, caracterizada pelo não comparecimento ao interrogatório após regular citação, o presidente da comissão processante designará, de ofício, um defensor para atuar na defesa do indiciado, podendo, para tanto, solicitar ao Prefeito Municipal a designação de um servidor público, dando-se preferência a servidor que seja formado em curso de ciências jurídicas, quando possível.

Art. 82 O indiciado poderá constituir advogado para fazer a sua defesa.

Art. 83 Na audiência marcada, a comissão promoverá o interrogatório do indiciado, concedendo-lhe, em seguida, o prazo de três dias para oferecer alegações escritas, requerer provas e arrolar testemunhas, até o máximo de cinco.

      § 1° Havendo mais de um indiciado, o prazo será comum e de seis dias, contados a partir do interrogatório do último deles.

      § 2° O indiciado ou seu advogado terão vista do processo na repartição, podendo ser fornecida cópia de inteiro teor mediante requerimento e reposição do custo.

Art. 84 A comissão promoverá a tomada de depoimentos, acareações, investigações e diligências cabíveis, objetivando a coleta de prova, recorrendo, quando necessário, a técnicos e peritos de modo a permitir a completa elucidação dos fatos.

Art. 85 O indiciado tem o direito de, pessoalmente ou por intermédio de procurador, assistir aos atos probatórios que se realizarem perante a comissão.

      § 1° De todos os atos probatórios deverão ser intimados, com antecedência mínima de vinte e quatro horas, o indiciado e seu advogado.

      § 2° A intimação relativa à audiência de inquirição deverá conter o rol de testemunhas. 

Art. 86 O Presidente da comissão poderá indeferir pedidos considerados impertinentes, meramente protelatórios ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos fatos, motivadamente.

Art. 87 As testemunhas serão intimadas a depor mediante mandado expedido pelo Presidente da comissão, devendo a segunda via, com o ciente do intimado, ser anexada aos autos.

      § único Se a testemunha for servidor público, a expedição do mandado será imediatamente comunicada ao chefe da repartição onde serve, com a indicação do dia e hora marcados para a inquirição.

Art. 88 A comissão inquirirá as testemunhas separada e sucessivamente:

       Iprimeiro aquelas referidas na denúncia ou arroladas de ofício; e 
 


       IIpor último as do indiciado.

      § único Nenhuma testemunha pode ouvir o depoimento da(s) outra(s).

Art. 89 O depoimento será prestado oralmente e reduzido a termo, não sendo lícito à testemunha trazê-lo por escrito.

Art. 90 Antes de depor, a testemunha será qualificada, declarando o nome por inteiro, a profissão, a residência e o estado civil, bem como se tem relações de parentesco com o indiciado, ou interesse no objeto do processo.

      § 1° É lícito ao indiciado contraditar a testemunha, arguindo-lhe a incapacidade, o impedimento ou a suspeição.

      § 2° Se a testemunha negar os fatos que Ihe são imputados o indiciado poderá provar a contradita com documentos ou com testemunhas, até três, apresentadas no ato e inquiridas em separado. 

      § 3° Sendo provados ou confessados os fatos, a comissão dispensará a testemunha, ou lhe tomará o depoimento, independentemente de compromisso.

Art. 91 Ao início da inquirição, a testemunha prestará o compromisso de dizer a verdade do que souber e Ihe for perguntado.

      § único O Presidente da comissão advertirá à testemunha que incorre em sanção penal quem faz a afirmação falsa, cala ou oculta a verdade.

Art. 92 O Presidente da comissão inquirirá a testemunha sobre os fatos, concedendo em seguida a oportunidade para que o indiciado ou seu advogado, formule perguntas tendentes a esclarecer ou complementar o depoimento.

      § único Mediante requerimento do indiciado ou de seu advogado as perguntas indeferidas serão transcritas no termo.  

Art. 93 Na hipótese de depoimentos contraditórios ou que se infirmem, proceder-se-á à acareação entre os depoentes.

Art. 94 Concluída a inquirição de testemunhas, poderá a comissão processante, se julgar útil ao esclarecimento dos fatos, reinterrogar o indiciado.

Art. 95 Ultimada a instrução do processo, o indiciado ou seu advogado será intimado, via mandado, por carta postal ou ciência nos autos, de que dispõe de prazo de vinte e quatro horas para requerer diligências, cuja necessidade ou conveniência se origine de circunstâncias ou de fatos apurados na instrução.

      § 1° Não havendo requerimento do indiciado, ou concluídas as diligências, será concedido prazo de dez dias para apresentação de defesa escrita, assegurando-se vista do processo na repartição e sendo fornecida cópia de inteiro teor, mediante requerimento e reposição do custo.

      § 2° O prazo de defesa será comum e de quinze dias se forem dois ou mais os indiciados.

Art. 96 Após o decurso do prazo, apresentada a defesa ou não, a comissão apreciará todos os elementos do processo, apresentando relatório, no qual constarão em relação a cada indiciado, separadamente, as irregularidades de que foi acusado, as provas que instruíram o processo e as razões de defesa, propondo, justificadamente, a absolvição ou punição do indiciado, e indicando a pena cabível e seu fundamento legal.

Art. 97 O processo será remetido ao Corregedor-Geral, dentro de dez dias contados do término do prazo para apresentação da defesa.

      § único A comissão ficará à disposição da autoridade competente, até a decisão final do processo, para prestar esclarecimentos ou cumprir diligências julgadas necessárias.

Art. 98 Recebidos os autos, o Corregedor-Geral poderá, dentro de cinco dias:

       Ipedir esclarecimentos ou determinar diligências que entender necessárias à comissão processante, estabelecendo prazo para cumprimento; ou

       IIencaminhar os autos ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente para deliberação acerca da pena a ser aplicada.

Art. 99 As irregularidades processuais que não constituam vícios substanciais insanáveis, suscetíveis de influírem na apuração da verdade ou na decisão do processo, não lhe determinarão a nulidade.


Subseção VII
Do Pedido de Reconsideração e do Recurso


Art. 100 Da decisão do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente que aplicar penalidade à Conselheiro Tutelar é garantido o direito de pedir reconsideração e recorrer, em defesa de direito ou de interesse legítimo.

      § único As petições, salvo determinação expressa em regulamento, serão dirigidas à autoridade competente e terão decisão no prazo de trinta dias.

Art. 101 O pedido de reconsideração deverá conter novos argumentos ou provas suscetíveis de reformar da decisão.

      § único O pedido de reconsideração, admitido uma única vez, será submetido ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente para deliberação em plenária.

Art. 102 Caberá recurso ao Prefeito Municipal, como última instância administrativa.

Art. 103 O prazo para interposição de pedido de reconsideração ou de recurso é de trinta dias, a contar da data da ciência do Conselheiro Tutelar da decisão, mediante notificação pessoal ou da publicação do despacho, o que ocorrer por último.

      § único O pedido de reconsideração e o recurso não terão efeito suspensivo e, se providos, seus efeitos retroagirão à data do ato impugnado.

Art. 104 É assegurado o direito de vista do processo ao Conselheiro Tutelar ou ao seu representante legal.


TÍTULO III
Disposições Finais e Transitórias


Art. 105 O mandato dos Conselheiros Tutelares atualmente vigente fica prorrogado até o dia 09 de janeiro de 2016.

      § único A prorrogação a que se refere o caput não tem característica de novo mandato para fins de recondução do Conselheiro Tutelar. 

Art. 106 As despesas com a execução dos programas de atendimento à Criança e do Adolescente terão a cobertura do Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente, criado pelo artigo 21 desta Lei.

Art. 107 Ficam revogadas as seguintes Leis Municipais:

       ILei Municipal nº 1.092, de 01 de novembro de 2002;

       IILei Municipal nº 1.099, de 06 de novembro de 2002;

       IIILei Municipal nº 1.326, de 13 de setembro de 2005;

       IVLei Municipal nº 2.039, de 08 de setembro de 2011;

Art. 108 Ficam revogadas as disposições em contrário.

Art. 109 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, à exceção do art. 49, que terá vigência a contar 10 de janeiro de 2016.

      § único Os atuais Conselheiros Tutelares perceberão vencimentos de 3,93 (três virgula noventa e três) VMRs mensais até 09 de janeiro de 2016.Incluído pelo LEI ORDINARIA n° 2307/2015, 24/04/2015


      Gabinete do Prefeito de Arroio do Sal, em 02 de abril de 2015.


Luciano Pinto da Silva
Prefeito Municipal

Jucilei Pereira da Silva
Secretária de Administração


Este texto não substitui o publicado no Mural 02/04/2015



  OBS: As normas e informações complementares, publicadas neste site, tem caráter apenas informativo, podendo conter erros de digitação. Os textos originais, revestidos da legalidade jurídica, encontram-se à disposição na Câmara Municipal de Arroio do Sal - RS.

Lei Ordinária / 2003

LEI Nº 1819/2003

INSTITUI O PROGRAMA PASSAGEIRO ESPECIAL.

LEI Nº 1203/2003

Autoriza o Poder Executivo Municipal a repassar para o CDL, patrocínio do Banrisul.

LEI Nº 1202/2003

Dá nova redação ao capítulo III do título do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza do Código Tributário do Município e aos anexos I, estabelecidos pela Lei nº 175/90.

LEI Nº 1201/2003

ESTIMA A RECEITA E FIXA A DESPESA DO MUNICÍPIO PARA O EXERCÍCIO DE 2004.

LEI Nº 1200/2003

Altera dispositivo do Art. 1º, da Lei nº 1.185, de 17 de dezembro de 2003, que autoriza contratar pessoal por tempo determinado para atender necessidade temporária de excepcional interesse público.

LEI Nº 1199/2003

Altera o Art. 9º, da Lei nº 607, de 29 de dezembro de 1995, que dispõe sobre a adoção de praças e logradouros públicos.

LEI Nº 1198/2003

Inclui meta na Lei N° 1.174 de 19 de novembro de 2003, que dispõe sobre as Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2004.

LEI Nº 1197/2003

Inclui meta na Lei nº 1.006 de 12 de julho de 2001, que dispõe sobre o Plano Plurianual para o período de 2002 a 2005.

LEI Nº 1196/2003

Dispõe sobre o cálculo dos tributos devidos por loteadores, incidentes sobre lotes não vendidos.

LEI Nº 1195/2003

AUTORIZA O PODER EXECUTIVO MUNICIPAL A RENEGOCIAR DÍVIDAS ORIUNDAS DE ATRASO DE PAGAMENTOS DE LOTES ALIENADOS ATRAVÉS DAS CONCORRÊNCIAS 01/98 02/98, 01/2000 E 02/2000.

LEI Nº 1194/2003

Institui o calendário de eventos para o ano de 2004.

LEI Nº 1193/2003

Concede abono emergencial para médicos plantonistas de 24h contratados e concursados.

LEI Nº 1192/2003

Fixa e regulamenta o perímetro urbano Municipal.

LEI Nº 1191/2003

Fixa o Valor de Referência Municipal para o exercício de 2004.

LEI Nº 1190/2003

Altera disposições do artigo 4º da Lei nº 1.010, de 27 de julho de 2001, que autoriza implantar equipe de programa de saúde da família e, revoga Lei nº 1.128, de 31 de janeiro de 2003.

LEI Nº 1189/2003

Dispõe sobre a criação do Conselho Municipal de Segurança Alimentar de Arroio do Sal.

LEI Nº 1188/2003

Altera o Art. 13 da Lei N° 1.086 de 23 de setembro de 2002, que Consolidada o Plano de Classificação de Cargos e Funções, e Estabelece Plano de Pagamento.

LEI Nº 1187/2003

Autoriza o Poder Executivo a Criar o Fundo Municipal de Habitação de Arroio do Sal.

LEI Nº 1186/2003

Autoriza o Poder Executivo a criar o CONSELHO MUNICIPAL DE HABITAÇÃO.

LEI Nº 1185/2003

Autoriza o Poder Executivo Municipal a contratar pessoal por tempo determinado para atender necessidade temporária de excepcional interesse público.

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